O encontro tornou evidente a necessidade de ajustar, ainda mais, a Iniciativa Outros Bairros na sua base conceptual. Portanto, reforçar a atuação local, a partir de uma alteração à organização das obras que pudesse optimizar a organização das mesmas, o mais possível, à dimensão dos empreiteiros locais.

Além disso, reforçar a possibilidade de realizar qualquer tipo de ação no sentido de poder entender o caminho para as metáforas que sustentam vida nos lugares. Entender o posicionamento público dos diferentes grupos, da sociedade mindelense, do Ministério das Infraestururas e, sobretudo, de moradoras e moradores.

Da obra, enquanto elemento gerador de emprego e cerne da transformação física conflituou o facto de não ter demanda suficiente para empregar todas e todos os desempregados; de articular o alargamento de relações sociais e institucionais para os diferentes grupos; de construir a dignidade do espaço que, sem dúvida, é o centro da construção do que é comum.

Embora na configuração conceptual da IOB a arquitetura e o urbanismo não sejam centrais pelo ponto de vista da autoria, mas sim pela inscrição no político, é de referenciar que a consolidação de uma malha urbana existente e a sua afirmação no todo do processo de urbanização planetária dá, de facto, ao terreno da arquitetura e do urbanismo centralidade dentro da construção do processo coletivo. Mas se a obra foi uma ação concreta com tempo e lugar definido, foi a impermanência das ações de ativação do espaço público o que mais se evidenciou durante o encontro Somá na Ponta. 

CURADORIA: Elaine de Pina, Ema Barros, Erickson Fortes, Nuno Flores 
CONVIDADA/OS: Amdjer na Obra, Álvaro Domingues, Ana Silva Fernandes, Associação Comunitária Alt Bomba Unid, Bento Oliveira, Bernardino Gonçalves, Celeste Fortes, Grupo Kubaka, Nuno Flores, Raquel Rolnik, Redy Lima, Rita Rainho 
Fotografia: Grace Riibeiro
Ano: 2021
Promotor: Ministério das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação
Local: Mindelo, Cabo Verde